quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

FUNÇÃO TRANSPORTE NA LOGÍSTICA: Fatores De Influência Na Formação Dos Custos Do Transporte Rodoviário De Cargas[1]

Airton B. Duarte

Gabriela Bolduan

Rosangela Ferreira

Wanessa O. Ramos [2]

RESUMO

O presente artigo se dispõe a discorrer sobre os fatores capazes de influenciar na formação dos custos do transporte rodoviário, abordando a importância deste modal dentro do processo logístico, apontando características e requisitos que devem ser observados por ocasião da escolha do meio de transporte para determinados tipos de mercadorias, bem como a necessidade de critérios na seleção do prestador de serviços na área de transportes como meio de tornar-se competitivo em meio a economia globalizada. Aponta ainda algumas dificuldades por que passa o transporte rodoviário no Brasil e que refletem no custo operacional do sistema, em razão de maior demanda por manutenção dos veículos, maior combustível, horas de trabalho e maiores investimentos em segurança.

PALAVRAS CHAVES

Transporte Rodoviário, modal, custos, qualidade embarcador e transportador.

1 INTRODUÇÃO

Dos transportes, o rodoviário de cargas é o modal que mais sofre a influência de fatores externos na formação de seus custos. Variações econômicas como a alteração do dólar ou o fechamento do mercado de ações ou ainda oscilação no preço do petróleo tem o poder de produzir efeitos imediatos no custo do frete, com reflexos nos custos logísticos totais.

Organismos como a Confederação Nacional do Transporte, Conselho de Gestão de Logística e Centro de Estudos de Logística, além de sites especializados serviram de fontes para nossa pesquisa, de modos que informações atualizadas pudessem ser colacionadas e levadas ao conhecimento do leitor.

As informações obtidas revelam a realidade de um país que vive sobre rodas, que tem o maior percentual de sua produção transportada sobre caminhões. Os dados apresentados retratam as dificuldades por que passam não só os transportadores, mas também os embarcadores, vivendo a incerteza da chegada de suas mercadorias e pagando altos preços pelos serviços.

Objetivamos então com este artigo expressar nosso entendimento no sentido de que a logística não está confinada apenas às operações de manufatura. Ela é relevante em organizações e dependente de muitos outros fatores como humanos, naturais, financeiros e recursos de informações. Entendemos que, dentro deste contexto, o transporte rodoviário tem papel fundamental por ser o elo de ligação entre as extremidades da cadeia logística, ou seja, entre a unidade de produção e o consumidor final, razão pela qual a busca pela sua eficácia e eficiência deve ser uma constante.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Vimos recentemente no site da Confederação Nacional dos Transportes e também em edição do Jornal O Estado de São Paulo matéria referente a importância do setor de transportes como parte da cadeia logística, abordada de maneira bastante didática e eficaz por BARAT[3]. Este, nos enfatiza o problema gerado pela falta de interligação entre os diversos modais na busca da solução para os problemas estruturais existentes.

Percebemos que discorre o autor com muita propriedade sobre a inexistência de políticas de longo prazo que visem a melhoria global do sistema, adota a idéia de uma visão sistêmica e não mais da busca de soluções de forma isolada, modal a modal Enfatiza o atraso que tal prática representa ao desenvolvimento do país, quando vistos, cada modal, como parte de uma cadeia produtiva.

Ainda analisando os ensinamentos de BARAT inclinamo-nos a concordar com seu entendimento no sentido de que[...] transporte é um elo fundamental das cadeias logísticas[...] razão pela qual é possível também afirmarmos que o rompimento, ainda que em apenas um ponto isolado, tem o poder de comprometer todo o restante do sistema, desde a unidade de produção até o consumidor final. Como resultado deste rompimento temos uma prestação ineficiente de serviços, além de custos financeiros e sociais bastante elevados.

Em material publicado pelo CLM - Conselho de Gestão de Logística (1991)[4] observamos a descrição do termo gestão de logística como processo complexo, não limitado ao transporte de mercadorias. Todavia, destaca-se que dentro deste processo o importante papel representado pelo setor de transportes como parte do sistema é o de ligar o ponto de origem ao ponto de destino das mercadorias. Logo, por adotarmos o ensinamento do CLM, fazemos uso daquelas palavras:

“ O Conselho de Gestão de Logistica ( CLM – Council of Logistics Management ) descreve o termo logistica como sendo o processo de planejamento, implementação e controle eficiente, fluxo efetivo e estocagem de bens e relação de informações do ponto de origem ao ponto de consumo para atendimento aos requisitos do cliente ”.

Acreditamos que um sistema de transporte eficiente e de baixo custo tem condições de aumentar a competitividade das empresas no mercado. Isso ocorre por meio da redução direta ou indireta de preços e assim, melhora a economia de escala na produção, onde o transporte faz acentuada influência do início ao fim da cadeia produtiva, seja desde a entrega da meteria prima até a distribuição do produto acabado ao consumidor final.

Diversas são as modalidades de transporte rodoviário existentes na atualidade. Face a variedade de mercadorias e bens transportados, desde as de valor insignificante até as de valor inestimável e, em razão do crescimento das necessidades dos clientes em cada um desses setores, podemos perceber que veículos e operadores tiveram também que passar por processo de modernização, treinamento e qualificação. Notamos a existência de uma vasta gama de veículos, destinados ao transporte de carga seca, transporte de grãos, combustíveis, óleo vegetal, combustíveis, gaseificados, minérios, carga viva, frigorificados, perecíveis ( hortifrutigranjeiros, flores ). Também temos o transporte em baús de cargas diversificadas, cargas perigosas/tóxicas e tantas outras que fazem com que cada setor tenha de adotar critérios diferenciados para selecionar, contratar e administrar a prestação do serviço de transportes de sua área, tanto no que se refere a equipamentos quanto no que se refere a recursos humanos.

Dentro desse entendimento e dessa nova realidade de mercado, podemos observar que o quesito preço há muito deixou de ser o ponto crucial na contratação de um prestador de serviços no ramo de transportes, a partir do momento em que qualidade e segurança, aliados ao compromisso de preservação ambiental passaram a constituir palavras de ordem. Contratar operadores os quais sejam detentores de veículos menos poluentes, primar pela condução segura, principalmente em se tratando do transporte de produtos que possam, se eventualmente derramados atingir o meio ambiente ou expor as pessoas à riscos, e ter como operadores pessoas habilitadas a todos os procedimentos em caso de emergência, passou a ocupar posição acima do quesito preço na hora da escolha pelo prestador dos serviços de transporte.

Mais que isso, pensamos que a escolha do modo de transporte deve considerar algumas características essenciais, porém, de grande capacidade diferencial na qualidade e na formação do preço final dos produtos e serviços. Assim, entendemos que, além de ponderar vantagens e desvantagens deste setor, outros requisitos devem ser analisados, tais como: rapidez, agilidade, viabilidade, área de cobertura do prestador dos serviços, percentual de riscos e histórico de sinistros do transportador.

No modal rodoviário de carga, podemos considerar de forma simplista algumas vantagens e desvantagens que permitem de forma sumária optar pelo setor. Antes de iniciarmos análise mais profunda de sua viabilidade, apontamos como vantagens o fato de ser o transporte rodoviário o mais adequado para curtas e médias distâncias, onde destacamos também que o sistema é ágil e simples no atendimento às necessidades do embarcador e do cliente, por requerer menor movimentação e manuseio das mercadorias, os chamados transbordos, em decorrência do que pode fazer uso de embalagens mais simples e de menor custo. Por outro lado, na análise das desvantagens, observamos que, em determinadas circunstâncias o transporte rodoviário tem custos mais elevados, seja por ser a sua capacidade de carga por veículo a menor de todos os modais, se comparados ao ferroviário, aéreo ou hidroviário Isto o torna menos competitivo por ocasião do transporte de mercadorias por longas distâncias. Por fim, ressaltamos que, na atualidade, a desvantagem maior do transporte rodoviário, de modo geral, para toda a cadeia logística, está nas condições de segurança, item que abrange desde o estado de conservação das rodovias até as condições de trabalho dos motoristas e a idade da frota nacional de caminhões. As rodovias brasileiras, em sua maioria, não permitem uma trafegabilidade segura, seja no que diz respeito a conservação, seja ainda no que tange a roubos e assaltos, cada dia mais comuns e que, tornam necessários cada vez mais a utilização de aparatos como seguro de veículos e cargas, monitoramento eletrônico/satélite, rastreio e escolta. O resultado será viagens rápidas, tranqüilas, seguras, com menor desgaste do equipamento e de seu operador, refletindo em redução nos custos do transporte.

O transporte, segundo ensinamentos de BELLO Jr[5], representa normalmente cerca de dois terços dos custos logísticos totais, por isso mesmo entendemos que aumentar sua eficiência por meio da máxima utilização dos equipamentos e pessoal de transporte é uma das maiores preocupações do setor. Percebemos que o tempo que as mercadorias passam em trânsito tem reflexos no número de fretes que podem ser feitos por um veículo num determinado período e nos custos integrais do transporte para todos os embarques. Acreditamos que reduzir os custos do transporte e melhorar os serviços ao cliente, descobrir os melhores roteiros para os veículos ao longo de uma rede de rodovias, com a finalidade de minimizar os tempos e as distâncias, constituem problemas muito freqüentes de tomada de decisão aos operadores logísticos.

Ainda a respeito da importância do transporte dentro do sistema logístico aportamos no ensinamento de FLEURY (2002)[6], o qual preconiza:

“ A importância do transporte pode ser medida através de pelo menos três indicadores financeiros: custo, faturamento e lucro. O transporte representa em média, 60% dos custos logísticos, 3,5% do faturamento, e, em alguns casos, mais que o dobro do lucro. Além disso, tem um papel preponderante na qualidade dos serviços logísticos, pois impacta diretamente o tempo de entrega, a confiabilidade e a segurança dos produtos”.

Em decorrência disso entendemos que vários itens devem ser levados em consideração quando da escolha de um modal de transporte para obtenção de um diferencial competitivo como: estratégias colaborativas, planejamento da rede logística e implantação de sistema de informações. Entendemos que de uma análise refinada desses requisitos decorrerão os resultados finais causados pelo item transporte no sistema logístico, principalmente sob aspecto financeiro, no que se refere a custos, faturamento e lucros.

Valente, apud BELLO Jr (2001),[7] destaca:

“Deve-se ressaltar também, que o transporte é o elo básico de conexão entre produção e consumo, e que, portanto, o custo desse serviço, ou seja, o custo operacional dos veículos será um componente do preço final dos produtos”.

A escolha do transportador

Outro aspecto que cremos ser de grande importância na formação dos custos na cadeia logística está na escolha do transportador, pois no momento de despachar algum produto de um ponto a outro, seja na forma de matéria prima bruta ou produto acabado, vários itens devem ser ponderados, tais como: estabilidade financeira do prestador dos serviços, qualidade e pontualidade na prestação dos serviços, nível de qualificação de seus colaboradores, equipamentos e tecnologia disponíveis (próprios e/ou agregados), histórico de roubos e acidentes e área de cobertura da prestação dos serviços.

Ao firmar um contrato de prestação de serviços de transportes deve o embarcador tomar conhecimento da real situação financeira do prestador, de forma a não se ver surpreendido pelo não cumprimento de metas e prazos em decorrência de dificuldades financeiras. Acreditamos então que uma análise detalhada a respeito da estabilidade financeira do prestador dos serviços possibilita ao embarcador conhecer antecipadamente se o prestador terá ou não condições de cumprir integralmente o contrato firmado.

Acreditamos que a qualidade e pontualidade na prestação dos serviços sejam fatores de fundamental importância à satisfação do cliente, sendo comprovado por estudos que o tempo médio e a variabilidade do tempo da entrega estão sempre nos primeiros lugares das relações das mais importantes características de desempenho dos transportes. Entendemos que, em lugar de qualidade e pontualidade não podem ser entendidos outros sinônimos senão a entrega da mercadoria certa, da forma certa e no momento certo, de acordo com as condições previamente estabelecidas.

Em aval a tal entendimento, colacionamos ensinamentos de Nazário (2000)[8] que assim se manifesta:

“Mesmo com o avanço de tecnologias que permitem a troca de informações em tempo real, o transporte continua sendo fundamental para que seja atingido o objetivo logístico, que é o produto certo, na quantidade certa, na hora certa, no lugar certo, ao menor custo possível. ”.

No tocante aos equipamentos e tecnologias disponíveis, sejam eles próprios ou agregados, firmamos entendimento de que não só a quantidade de veículos à disposição de determinado transportador fazem dele um prestador de serviços de boa qualidade, mas para isso deve o transportador contar com equipamentos modernos, seguros, capazes de satisfazer as necessidades de um mercado cada dia mais exigente e, para tanto, a qualificação de seus colaboradores é imprescindível, em todos os setores, seja no manuseio do equipamento ou das tecnologias colocadas a disposição do transportador visando a satisfação integral do embarcador, seja quanto a questões ligadas a gestão de riscos e emergências.

Observamos como outro ponto a ser avaliado, na escolha de um prestador de serviços, para a área de transporte é a análise cuidadosa do histórico de acidentes e roubos envolvendo o prestador dos serviços de transportes. Índices elevados de sinistros, tais como acidentes e roubos, além de gerar incertezas ao embarcador quanto a confiabilidade no transporte de seu produto de forma segura, causam elevação dos preços de seguros das cargas, com reflexos em toda a cadeia logística.

Más condições das rodovias

Destacamos que o estado de abandono em que se encontram as rodovias ainda administradas pelo poder público é fato gerador de custos no processo logístico, vez que dificulta todo o processo produtivo, desde o embarque da matéria prima até a entrega do produto acabado.

Rodovias mal conservadas geram consumo maior de combustível, maior necessidade de manutenção e reparos nos caminhões, aumento considerável no tempo de trânsito das mercadorias e, por conseqüência, maior desgaste físico aos motoristas.

Percebemos, numa análise restrita ao Estado de Santa Catarina que, a formação de gargalos no escoamento da produção em razão da escassez e precariedade de vias, fazendo com que portos permaneçam congestionados, filas sejam formadas, gerando pagamento de diárias a navios face ao atraso no embarque das cargas.

Recentemente a Revista Portuária[9] divulgou pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Transporte no ano de 2007, pela qual constatamos que as estradas catarinenses são apontadas como ruins, mal sinalizadas e com graves problemas estruturais. Ainda na mesma matéria Pedro Lopes, Presidente da Federação dos Transportadores de Cargas do Estado de Santa Catarina afirma, com o que concordamos, que a solução seria estadualizar as rodovias controladas pelo governo federal no trecho que cruzam o estado, pois em sua opinião, o governo estadual conhece mais as dificuldades enfrentadas nas rodovias e está mais suscetível às pressões dos transportadores.

O crescimento da insegurança: o roubo de cargas

Constatamos que, segundo apurado pela Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CMPI) formada para investigar a atuação do crime organizado no roubo de cargas, as empresas transportadoras tiveram prejuízo aproximado de R$ 700 milhões em 2001 e que em decorrência disso, entre os anos de 2001 e 2003, mais de 200 empresas tiveram sua decretada falência em razão disso. Vemos veicular nos noticiários e em dados estatísticos que o roubo de cargas tem aumentado consideravelmente no Brasil. A freqüência do crime motivou a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), no Congresso Nacional, em 2000. Observamos fontes que relatam que a atividade de transporte de carga no Brasil envolve mais de 60 mil empresas, 700 mil transportadores autônomos, totalizando 2,5 milhões de trabalhadores e que o transporte rodoviário é responsável por 60,5% de toda movimentação de carga no Brasil, com faturamento anual de R$ 21,5 bilhões, utilizando uma frota de 1,4 milhão de caminhões[10].

Destacamos que em decorrência dessa prática, contra a qual o Estado enquanto Instituição não dispõe de estrutura para dar combate ao roubo e a receptação das cargas roubadas, o país fica exposto ao risco de desabastecimento, bem como tem elevados os seus custos a manutenção do sistema de transportes, face ao encarecimento do preço final dos fretes, resultado de valores mais significativos dos seguros. Observamos hoje que, em determinados roteiros e alguns tipos de mercadorias transportadas não mais encontram cobertura por parte das seguradoras, ou, quando estas se dispõe a dar cobertura, o fazem estabelecendo preços elevados que certamente refletirão no bolso do consumidor final.

3 – APRESENTAÇÃO DE DADOS

Com base no material consultado podemos arrolar razões que fazem com que o transporte se torne o fator maior de elevação de custos do setor logístico no Brasil, apontando primeiramente para o descaso do poder público para com as políticas que permitam a preservação e expansão do setor. Entre todos os modais de transportes, sem dúvida, acreditamos ser o modal rodoviário a maior vítima da falta de investimentos.

A incidência de falhas no processo de escolha do prestador dos serviços de transporte faz com que a qualidade destes seja comprometida, pela ocorrência de impontualidade no cumprimento dos contratos, decorrente de dificuldades financeiras, faltas ou falhas dos equipamentos a disposição do prestador dos serviços.

A pouca disposição das empresas do setor de transporte em investir na especialização de seu material humano, pela especialização no manuseio de equipamento e também das mercadorias transportadas faz com que o índice de perdas e danos seja bastante elevado, produzindo reflexos no custo final. Salientamos que o adequado treinamento dos transportadores é vital para a segurança não só das mercadorias transportadas, mas também de todos os demais ao longo das vias por onde eles transitam, e neste aspecto, percebemos que a falta de fiscalização quanto ao cumprimento da legislação trabalhista faz com que um grande número de transportadores, autônomos ou empregados, extrapolem a jornada diária de labor, chegando ao limite da exaustão física e comprometendo a segurança própria e de terceiros.

A falta de conservação das rodovias não entregues as privatizações é uma constante, pista de rolamento em mau estado, falta de sinalização, problemas estruturais fazem com que haja desperdício de combustível, pneus e sobretudo de vidas.

A falta de política econômica que permita, principalmente, ao transportador rodoviário autônomo, responsável pela maior fatia do transporte de cargas no país, acesso às linhas de crédito de juros baixos, possibilitando a renovação da frota nacional de caminhões. Salientamos que grande parte dos custos de frete se deve aos custos de manutenção do veículo, decorrência de anos de desgaste.

Observamos também que, segundo a Confederação Nacional do Transporte, o roubo de cargas causou prejuízos de R$ 800 milhões e que entre os anos de 1998 e 2003, durante roubo de cargas, foram assassinados 165 caminhoneiros (motoristas e ajudantes) assim distribuídos: em 1998, foram mortos 37 caminhoneiros; em 1999 foram 39; em 2000 foram mortos 23; em 2001 foram mortos 27; em 2002 foram mortos 21; em 2003 foram mortos 18. Todos foram vítimas das quadrilhas especializadas em roubos de cargas.

O gráfico demonstrativo do número de mortos pelo crime organizado no roubo de cargas, no período de 1998 a 2003 demonstra:

Fonte : Confederação Nacional dos Transportes

A falta de investimentos na área de segurança pública, de forma a estruturar a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal no combate ao crime organizado permite que o policiamento das rodovias seja cada dia menos abrangente, aumentando o campo de atuação das quadrilhas especializadas no roubo de cargas e caminhões. Aliada a isso, a prática de investigações mal procedidas e, por vezes desinteressadas em resultados eficazes e eficientes, bem como a existência de uma legislação branda, capaz de gerar a sensação de impunidade ao receptador de cargas e veículos roubados, garante a lucratividade das atividades criminosas.

4 – CONCLUSÃO

Procuramos ao desenvolver este artigo dar ao leitor um panorama sobre o atual cenário do setor de transporte rodoviário de cargas no Brasil, o qual, embora sendo maior em volume de cargas é também o maior em deficiências estruturais.

Vemos o transporte como o mais importante dos processos logísticos, pela quantidade, valor das mercadorias transportadas e pela praticidade de deslocamento entre um e outro ponto do pais, de modo que todo o restante da cadeia logística é dependente dos modais de transporte.

Salientamos que o setor de transporte rodoviário de cargas necessita de uma urgente e completa reforma estrutural, já que até hoje foram tomadas apenas medidas paliativas, voltadas para medidas pontuais que em nada melhoram o desempenho da cadeia logística como um todo.

No mundo globalizado atual, a rentabilidade não está mais em estabelecer grande margem de lucros ou em altos preços pelos serviços prestados, mas sim em vencer o difícil desafio da redução de custos como diferencial de competitividade.

Por fim, concluímos que, se por um lado, os elevados custos e os diversos problemas estruturais, atrelados às questões políticas e sociais, definem um panorama de grandes dificuldades, por outro, a necessidade de se avultar no mercado e as pressões simultâneas por redução de custos e melhoria de qualidade estão levando as empresas embarcadoras a buscarem alternativas para tornar o transporte mais eficiente.

REFERÊNCIAS

BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos/Logística Empresarial. Tradução Raul Rubenich. 5.ed. Porto Alegre.Bookman. 2006. p 147/184.

CENTRO DE ESTUDOS EM LOGÍSTICA – CEL/COPPEAD. Panorama Logístico, disponível em - www.centrodelogistica.org/new/fr-panorama_logistico6.htm - Acesso em 02 out. 2008

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO TRANSPORTE, disponível em www.cnt.org.br, acessado em 02 out.2008, 05.out.2008,08.out.2008, 10.out.2008 e 12.out.2008.

FLEURY, P.F. Gestão Estratégica do Transporte. 2002. Disponível em: http://www.ogerente.com. Acesso em: 14.out.2008

NAZÁRIO, P. ...[et.al]. O Papel do Transporte na Logística. 2000. Disponível em – ogerente.com.br – Acesso em 14.out.2008.

REVISTA PORTUÁRIA, BT Bitencoutr Editora, ed 98, março 2008, p 31/37.

REVISTA FROTA & CIA. Editora Frota, ed. 112, janeiro/fevereiro/2008, p. 10/16

BELLO Jr.Demetrio Quiroz. Disponível em - www.ogerente.com.br – Acesso em 19.out.2008.

www.tecnologistica.com.br - Acesso em 02.out.2008, 08.out.2008, 10. out,2008 e 14.out.2008.

www.comexnet.com.br/logistica.htm - acessso em 12.out.2008.

www.economiaetransporte.com.br – Acesso em 23.out.20088.

[1] Artigo de opinião apresentado às disciplinas de Infraestrutura Logística e Produção de Textos, sob orientação dos Professores Esp. Marcelo Moro e Msc. Nalgis de Fátima Wagner, respectivamente, Unoesc, Unidade de Fraiburgo, SC.

2 Acadêmicos do curso de Tecnologia em Logística, 2ª fase. Airton.duarte@gmail.com, loiralogistica@hotmail.com, rosangela.aquario@bol.com.br, wani.o@hotmail.com

3 Artigo publicado no Jornal O Estado de São Paulo em 27.08.2008, disponível em – www.cnt.org.br – Acesso em 02.out.2008.

4 Conselho de Gestão de Logística ( Council Of Logistics Management ) Organismo Internacional sediado em Illinois, USA..

5 Demetrio Quiros Bello Junior, Análise das Empresas Prestadoras de Serviços de Transporte Rodoviário. Disponível em - www.ogerente.com.br

6 FLEURY, P.F. Gestão Estratégica do Transporte. 2002. Disponível em - http://www.centrodelogistica.com.br - Acesso em: 15.out.2008.

7 VALENTE, apud Demetrio Quiroz Bello Junior, disponível em - www.ogerente.com.br - acesso em 18.10.2008

8 NAZÁRIO, P. ...[et.al]. O Papel do Transporte na Logística. 2000. Disponível em: --http://www.centrodelogistica.com.br.- Acesso em: 13.out.2008.

9 Revista Portuária, ed 98, março/2008, p.31/32

10 Dados estatísticos obtidos junto ao Site da Confederação Nacional dos Transportes- CNT www.cnt.org.br – acesso em 19.10.2008



Um comentário:

Débora Sanches disse...

Gosei muito deste artigo ,uma visão ampla de a muito que melhorar para uam logistica de qualidade em nosso pais .